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Porque culpamos sempre os árbitros pelo nosso fracasso?

Desde 2009 venho verificando que no Brasil, os técnicos e dirigentes, sempre acham desculpas para o fracasso de seus atletas em competições seletivas nacionais e em competições internacionais no corpo de arbitragem, e desta maneira desviam o foco das criticas e análises mais profundas dos trabalhos de preparação que quase sempre a figura do árbitro como orientador sobre as regras é descartada.
Os últimos casos que podemos citar ocorreram no último Mundial Junior onde nossos atletas não conseguiram figurar entre os quatro primeiros colocados, o que garantiria uma medalha para a equipe brasileira.
Passaremos agora a analisar as duas lutas que foram atribuídas a culpa ao árbitro central.
A primeira a ser analisada é a luta entre Michel Douglas x Gokmen Semih/ALE, que no último round o atleta brasileiro vencia de 9x1, quando faltando 10 segundos para terminar a luta foi contra atacar com um soco e atingiu o pescoço do Alemão.
Todos nós sabemos que atingir a região do rosto com as mãos é um ato proibido e que hoje a região da cabeça é toda área acima do colar cervical (base do pescoço), portanto atingir o pescoço com as mãos é um ato proibido, mas vamos ver o que diz a regra de competição da WTF quanto à paralisação de da luta para atendimento médico?
No artigo 19 que trata da suspensão do combate, o árbitro deve suspender o combate quando o atleta precisar parar devido a ferimento ou ambos competidores necessitarem como:
1. O árbitro deverá suspender o combate com a declaração de KAL-YEO e ordenar que a contagem do combate fosse suspensa anunciando KYE-SHI (suspensão).  
2. O árbitro deverá permitir que o atleta receba tratamento médico dentro de um (1) minuto.
3. O atleta que não demonstrar vontade de continuar o combate depois de um minuto mesmo no caso de um machucado leve deve ser declarado perdedor pelo árbitro.  
4. No caso da continuação do combate ser impossível após um minuto, o atleta que causou o machucado devido a um ato proibido deve ser penalizado com a falta GAM-JEOM e será declarado perdedor.  

O que aconteceu após o nosso atleta atingir o pescoço do seu adversário?
Foi à aplicação da Regra de competição que todos os atletas e técnicos deveriam conhecer fielmente, pois o atleta da Alemanha estava recebendo atendimento médico e não se levantou até o termino do tempo de 1 minuto, por ordem ou não de seu técnico ele utilizou a regra a seu favor e venceu a luta que já estava perdida.

O técnico pode falar para o atleta permanecer ao solo sendo atendido pelo médico?
Pode e não existe punição para este ato, pois caso o atleta se levante ao término do tempo o adversário seria punido com a falta e a luta seguiria, mas o que vimos no caso da luta de nosso atleta foi a inteligência do técnico alemão em pedir ao seu atleta que ficasse no chão, pois era a única chance que teria para vencer o combate.

O árbitro agiu corretamente?
O árbitro tendo visto o golpe na garganta do alemão e suspendido o combate para atendimento médico imediatamente, ele agiu dentro do que preconiza o regulamento de competição, não cabendo a ele julgar o momento da luta (tempo) e nem o placar.

O que nosso atleta poderia ter feito para evitar esta situação nos 10 segundos finais?
Ele simplesmente poderia ficar evitando a luta ou ir para o clinche diversas vezes, pois pelo placar que estava ele poderia ter recebido até aquele momento apenas 3 Kyong’s e em 10 segundos ele nunca iria receber 5 punições para ser desclassificado.

Ele foi prejudicado pelo fato do atleta ser Europeu?
Não, de maneira alguma, pois podemos verificar que ele ganhava o combate por 9x1, portanto até o momento do soco, que é o atleta que executa e não o árbitro, tudo estava bem, mas como a decisão implicou em derrota do brasileiro, por aplicação correta das regras, nós brasileiros buscamos logo um culpado para esconder possíveis erros nossos.

O que nosso técnico poderia ter feito para recorrer da decisão naquele momento?
1. Primeiro poderia utilizar o cartão para solicitar o Vídeo Replay, se ainda o tivesse, contestando a área de impacto e a real intenção de socar o pescoço, sem ter que pagar para entrar com recurso, mas em caso de perder a alegação do Vídeo Replay não poderia entrar com recurso após a luta por este motivo.
2. Entrar com recurso após a luta pagando $200 (dólares) o que achamos quase impossível alterar o resultado da luta por este motivo.

A segunda a ser analisada é a luta entre Maria Eduarda x Roeksiriat Sirada/THA, que teria utilizado a técnica de Tuit Tchagui e feito 03 pontos contra a brasileira e vencido a luta por 3x2.

Como são divididos os pontos válidos?
Um (1) ponto para golpe no protetor de tórax, dois (2) pontos para chutes com giro no tronco e três (3) pontos para ataque válido na cabeça.
No caso de utilizarmos qualquer técnica de chute na cabeça será atribuído 3 pontos ao atleta, mesmo que seja um Biturô Tchagui ou Ruryo Tchagui.

Como recorrer de um ponto marcado erroneamente pelos Juízes laterais?
1. Primeiro poderia utilizar o cartão para solicitar o Vídeo Replay, se ainda o tivesse, contestando a área de impacto e a real intenção de socar o pescoço, sem ter que pagar para entrar com recurso, mas em caso de perder a alegação do Vídeo Replay não poderia entrar com recurso após a luta por este motivo.
2. Entrar com recurso após a luta pagando $200(dólares) o que achamos quase impossível alterar o resultado da luta por este motivo.

Cabe ao árbitro central retirar pontos atribuídos pelo sistema eletrônico ou pelos Juízes laterais?
Não. O árbitro central somente retira ponto de um atleta se o ponto foi obtido por meio de uma ação ilegal, dando vantagem à marcação do ponto.

Estamos esperando receber as imagens de ambas as lutas em melhor qualidade para podermos analisar em maiores detalhes e publicar posteriormente, contribuindo para melhorar o nosso taekwondo.

Mestre Marcelo Rezende
Árbitro Internacional WTF



 
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