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Percepção Subjetiva de Esforço

É indispensável em qualquer modalidade esportiva uma correta prescrição e monitoramento do treinamento físico. É comum vermos atletas realizarem mais de uma sessão de treino por dia, muitas vezes se instaurando um quadro de desgaste físico por parte dos mesmos, devido à alta intensidade utilizada em seus treinamentos, sendo muitas vezes acompanhada de insuficientes períodos de recuperação. Neste sentido é interessante que se realize uma avaliação diária do stress provocado naquela sessão de treino, através do monitoramento da carga de treinamento. Esta ferramenta é útil porque dará ao treinador condições de avaliar o rendimento de seu atleta, observando a resposta do mesmo com relação a magnitude das cargas utilizadas e assim traçar estratégias para a periodização das cargas futuras.
Existem vários métodos para se fazer esse monitoramento da carga diária da sessão, porém um método em especial vem sendo muito bem aceito pela comunidade científica e por treinadores das mais diferentes modalidades: a Percepção Subjetiva do Esforça da sessão (PSE), proposto recentemente por Carl Foster. A PSE é denominada como a integração entre o córtex sensorial e sinais periféricos e centrais, como a ventilação, articulações e músculos. Moreira e colaboradores definem a PSE como a resposta psicofísica gerada e memorizada no sistema nervoso central, decorrente dos impulsos neurais eferentes provenientes do córtex motor.
A PSE consiste em um questionário simples, sendo que o atleta deve responder a pergunta “como foi sua sessão de treino” em um período de até 30 minutos após o esforço, com o atleta respondendo de acordo com a tabela CR-10 de Borg. Esta tabela consiste em uma numeração de 0 a 10, aonde zero significa o valor mínimo (repouso) e o 10 o valor máximo (maior esforço).


Escala CR-10 de Borg (1982) adaptada por Foster et al. (2001)

A carga de treinamento é calculada através da multiplicação do resultado da PSE versus a duração do esforço (min) e é expressa em cargas arbitrárias. É importante salientar que a PSE tem uma boa correlação com outros indicadores de intensidade do exercício, como a Freqüência Cardíaca e consumo de oxigênio.
O baixo custo e a alta aplicabilidade deste método são notórios. Através da PSE pode-se calcular a monotonia do treinamento (média das cargas de treinamento das sessões de um determinado período dividido pelo desvio padrão). Estudos correlacionam o alto índice de monotonia em períodos de alta intensidade de treinamento com a síndrome de overreaching. Outra aplicação prática e detectar individualmente o rendimento de um atleta, e comparar, como por exemplo, a média dele com a média do grupo (equipe). É importante que a percepção do treinador de esforço seja a mesma do atleta, sendo a PSE uma importante ferramenta feedback para o treinador.
No Brasil temos grandes pesquisadores realizando pesquisas com esse tema, em especial os Professores Alexandre Moreira e Marcelo Saldanha Aoki, da USP. No Clube dos Paraplégicos de S.P. estamos começando a monitorar os atletas do halterofilismo com a PSE, e pretendemos estender este monitoramento para outros esportes de rendimento, especialmente pelo baixo custo e excelentes resultados obtidos com outros atletas.

Gustavo Barquilha, fisiologista do Bang Top Team e Bang Golden Girls, é educador físico com mestrado em Ciências do Movimento Humano, Mestre Doutorando em Ciências do Esporte, Pós-Graduado em Fisiologia do Exercício, Instrutor Certificado em Treinamento Funcional, Instrutor Certificado em Treinamento Funcional - Core 360º, Instrutor Certificado em Ginástica Natural, Professor da Universidade Cruzeiro do Sul, no curso de educação física, Coordenador técnico do departamento de Halterofilismo e Alto Rendimento do Clube dos paraplégicos de SP, um dos princípais e mais antigos clubes esportivos voltados para esportes adaptados no Brasil. Esse clube é vínculado ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, tendo como destaque no clube o Halterofilista Alexsander Whitaker, com vários títulos brasileiros, Parapan-Americanos, entre muitos outros. Faz também o acompanhamento físico/fisiológico de diversos lutadores de Jiu-Jitsu e MMA.



 
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