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Projeto para o taekwondo brasileiro

por Marcus Rezende

Se tivesse que dar ideias a alguém que almejasse ser presidente da CBTKD, quanto as pautas de ações que o site taekwondo news lançou aos que foram indicados por leitores, em enquete, como merecedores de presidir a CBTKD, diria aos candidatos que agissem com mais simplicidade,  pois dessa forma chegariam mais facilmente à eficiência, eficácia e efetividade em suas  ações. As ideias que exponho seguem uma lógica já existente em outras entidades, portanto não é nenhuma invenção.
Além disso, não as estou publicando com pretensões política, pois não as tenho. Sou um teórico e sonho com um taekwondo melhor e mais justo. Nunca, nem de longe me passou pela cabeça ser presidente desta entidade, pois acho que não tenho vocação para tal cargo. Sobre os temas em tela, já fui autor de diversos artigos e aproveito a oportunidade para fazer um resumo de meu pensamento sobre cada um deles e ressaltar que o Brasil precisa de alguém desprendido dos vícios que assolam esta modalidade.

SELEÇÃO ADULTA
Sobre a seleção adulta, em primeiro lugar, o presidente deveria impor o melhor projeto para um país com as dimensões do Brasil. E tais dimensões não comportam projetos semelhantes aos realizados em países europeus. Estes são países com outra cultura e realidade. Portanto, criar uma seleção fixa para o ano inteiro, é uma temeridade. Se os recursos existem e devem ser repassados aos atletas por meio de contrato firmado, que os escolhidos por meio de uma seletiva em final de ano (QUE SEJA), sejam contemplados com os tais contratos das empresas parceiras da entidade. Porém, os contemplados com remuneração mensal teriam que disputar todas as seletivas para as vagas nas Seleções, em seletivas próximas aos eventos internacionais. E se um outro atleta vencesse algum dos contemplados com a grana do contrato, nada mudaria. Ele iria continuar recebendo a remuneração conquistada.
O outro, porém, vestiria o uniforme da Seleção e lutaria naquela competição internacional. SIMPLES ASSIM. A CBTKD bancaria sua passagem, estadia e alimentação. Qual a dificuldade nisso?
Qual o modelo a ser implantado? O Brasil já o tem. É o de maior sucesso por essas bandas: o modelo da NATÁLIA FALAVIGNA. Cada atleta de alto rendimento precisa ter sua própria estrutura: seus treinadores e sua equipe multidisciplinar.
Que capacidade técnica  tem um presidente de Confederação para dizer quem seria o melhor treinador para treinar 32 atletas? Taekwondo não é esporte coletivo. Cada atleta precisa ter liberdade para escolher o seu grupo multidisciplinar e com ele fazer seu próprio planejamento anual. 
E a comissão técnica da CBTKD? Ora, essa realmente seria escolhida para viajar com a Seleção, conhecer cada um dos atletas e fazer o seu melhor durante o período competitivo. No mais, trabalharia para dar estrutura à competência de suas ações.
O taekwondo é um esporte individual. O presidente da CBTKD tem que erguer a cabeça e dizer ao COB e também à Petrobrás e a outras empresas que surjam para as parcerias vindouras que o projeto deles não serve para o taekwondo brasileiro. E apresentar o projeto para o Brasil e alinhar as ações das verbas destinadas à realização deste projeto.
É só lembrar a loucura de 2011, quando os atletas foram obrigados a lutar em todas as competições do circuito europeu em período ínfimo de tempo. Iam para a Europa, lutavam, voltavam para o Brasil e tinham que viajar de novo em menos de 15 dias. Foi de rir pra não chorar. Diziam os próceres da entidade que era uma exigência da Petrobrás.

SUB 21
Sobre a categoria sub 21, tem-se cometido um grave erro; sub21 é uma ideia e não uma categoria. Portanto o que se tem de pretender avaliar com esta ideia na verdade é saber em quem se pode investir pensando no futuro. Tais competições devem ser realizadas de forma separada (no máximo com competições de masters); nunca em conjunto com as categorias ordinárias. Isso porque todo aquele atleta com menos de 21 anos, também poderá estar lutando ou no Juvenil ou no Adulto.
Em um campeonato sub21 (isolado) se confrontariam tanto os atletas juvenis como os adultos (com menos de 21 anos). Feito isto, a CBTKD poderia apoiar os mais afortunados tecnicamente, bem como o próprio atleta poderia se apresentar a um pretenso patrocinador dizendo-lhe que dentre os que podem estar em 2016 e 2020, ele é uma das promessas da modalidade no Brasil. Qual a complicação nisso?
Sub 21 é tão somente para o conhecimento prévio de quem se deve investir com olhos no futuro.

SELEÇÃO JUVENIL
No caso da seleção juvenil, tratam-na com uma seriedade acima da normal. Não quero dizer que não se deva pensar no assunto com seriedade. Mas esta seriedade não está nas ações até hoje tomadas para esta categoria. A seriedade está no cultivo do fomento de praticantes nesta faixa etária. O grande erro é achar que a CBTKD deve criar um estrutura para acolher os atletas vencedores de seletivas em ano anterior, deixando os meninos presos em uma mesma categoria e desconsiderando as mudanças fisiológicas deles. Cá pra nós: uma temeridade.
A seriedade está na preocupação direta com os formadores de jovens talentos, mas não em querer formar uma Seleção de meninos, para dizer a eles como devem fazer para se desenvolver tecnicamente, como se os treinadores próprios deles fossem um bando de incompetentes. Tem sido isso que temos visto ao longo de muitos anos na CBTKD e o que continuamos a ver. O projeto para a Seleção Juvenil está em detectar e apoiar quem já desenvolve trabalhos de competição. Quando se contrata um técnico juvenil, um coordenador juvenil, o cara acaba achando que tem uma responsabilidade que não é sua.
O técnico indicado pela CBTKD deve fazer o seu trabalho visando as viagens internacionais e o bem-estar dos jovens. As seletivas para os campeonatos internacionais desta categoria precisam ser próximas ao evento. Escolhidos os atletas, embarca-se com eles na certeza de que já estão preparados. Eles vão precisar, além da total estrutura pertinente ao período competitivo, da confiança e do apoio daquele que estará sentado com ele na hora do confronto. Simples, sem complicação. E mesmo que isso seja feito, ninguém terá vida fácil lá fora. São prerrequisitos para que se comece a competir. O importante é que o JUVENIL apresente um bom trabalho e seja respeitado.
Deve-se entender a categoria juvenil como a transição para a categoria adulta.  Portanto, se o presidente for chamar um técnico e um coordenador para o JUVENIL, que os escolhidos entendam as limitações de sua responsabilidade. Atualmente o técnico da Seleção Brasileira Juvenil é Rodney Saraiva e o Coordenador o presidente da Federação do Amapá, Junior Maciel. Seria justo jogar nas costas desse técnico a responsabilidade de treinar jovens que já são preparados por treinadores renomados e competentes? Lógico que não. Em minha opinião é uma irresponsabilidade.

RANKING
O ranking é outra coisa simples que complicaram. De qualquer maneira, ele pelo menos já existe, e com alguns ajustes políticos até ficaria bom. O que não pode ocorrer é usá-lo como critério de escolha. Isso é um erro. Ele deve ser usado para formar o desenho dos atletas em uma chave de competição, diminuindo a chance dos melhores atletas se enfrentarem nos primeiros confrontos. Atualmente também utilizam-no para a definição dos que vão se confrontar no final do ano visando a nova formação de uma Seleção para o ano inteiro seguinte. Tiram a chance do faixa-preta recém-formado no meio do ano de tentar uma vaga na Seleção no próprio ano corrente. O jovem talentoso que surja de repente é obrigado a esperar um ano inteiro para ganhar a sua chance. Mesmo assim, o ranking da confederação é a única coisa positiva que pode ser aproveitada. Mesmo assim, o chefe da trupe vem desrespeitando regulamentos divulgados, tais como a pontuação para os Opens que passaram a valer 10 pontos, quando fora divulgado que valeria 05.
 
ARTE MARCIAL
Arte marcial seria uma outra vertente na qual o presidente escolheria alguém para desenvolver um trabalho visando fomentá-la; todo atleta só vai se descobrir como tal depois de aprender as bases da arte marcial. Os praticantes, na verdade, participam das competições de luta, mas não são atletas. São tão somente praticantes de taekwondo. As ações para o incremento da arte marcial são vastíssimas e estão diretamente ligadas às ações de fomento. A plêiade de atletas só poderá ser formadas se antes tais ações forem implementadas. Para essa coordenação é preciso alguém de visão, que possa trabalhar as competições marciais, as competições de poomsae e trabalhar com as ações de fomento.
  
EXAMES DE FAIXAS PRETAS
Exames de faixa é o que eu chamaria do câncer do taekwondo brasileiro. É por meio deles que alguns malandros usufruem do dinheiro alheio. E não querem mudar o que já existe. É algo imoral, pois tais regras beneficiam somente uns poucos.
O regulamento internacional criado em 1999 simplificou tudo: 4º dan examina gubs; 5º dan examina até 3º dan; 6º Dan examina até 4º dan; e uma banca de três 7º dan podem examinar de 4º para 5º; e assim por diante.
Portanto, sobre exames de faixa-preta, não há ideia a ser implementada. É preciso vergonha na cara para fazer o que é certo à luz do que se faz no mundo todo. Mas por aqui resolveram ignorá-lo.
Os nossos homens do poder criaram as próprias regras para impedir que o mestre comum examine seus alunos. Querem que isso seja administrado pelos presidentes das federações. A desculpa é a de que tem muito mestre despreparado para examinar. Mas quando deram a graduação de mestre a este “despreparado” (que pagou aquela graninha agradável), não tiveram coragem de reprová-lo e dizer a ele: “vá treinar, meu filho. Você não tem condições de ser mestre”. Nada disso. O homologaram como mestre, para depois dizer que ele é incapaz de examinar.  UNS BRINCALHÕES!!!!
O resultado das ações diretamente ligadas aos exames de faixa-preta tem causado ao taekwondo brasileiro  um dano irreparável. Isso porque os mestres mais conscientes não se submetem a tal excrescência e acabam se afastando do sistema desportivo das federações. Quem perde é o taekwondo brasileiro. Mas o pior é que alguns presidentes estão pouco ligando para isso. Não se importam se a entidade estadual tenha somente meia dúzia de gatos pingados registrados.

MIDIA
Pergunte a qualquer jornalista se ele sabe o que é taekwondo. Por força de sua profissão é obrigado a saber. E ele lhe dirá que é um esporte no qual os adversários  protegidos por protetores utilizam chutes e socos. Mas coloque na frente deste repórter dois praticantes realizando sebon ou hanbom Kyurugui ou mesmo fazendo poomsae e pergunte se ele sabe o que estão fazendo. Com certeza, poucos vão saber responder. O que dirá então a população?
O que isso quer dizer? Que o taekwondo só aparece na mídia enquanto desporto. São tantas as ações que podem ser realizadas, que qualquer presidente que se preze não poderia abrir mão de um agressivo trabalho de marketing, com gente competente e que tenha ouvidos para entender e olhos para enxergar que o taekwondo marcial vem primeiro e o desportivo vem depois.
 
POLÍTICA ADMINISTRATIVA 
Essa questão da LIGA é a mais absurda que eu já vi até hoje, pois a lei do país é clara quando possibilita que existam diversas entidades de administração trabalhando com o mesmo tipo de esporte. A CBTKD deveria desde sempre ter aceitado os registros de praticantes de outras organizações, bem como deixado que estes atletas participassem de suas competições. As ações restritivas da CBTKD ferem o princípio do olimpismo.
O registro da LIGA, no entanto, como entidade votante, fere o estatuto. Cá pra nós, um estatuto capenga. Para isso o estatuto deveria ser modificado. Mas também se se pode aceitar a LIGA, pode-se aceitar associações. Na verdade, para a democracia deste esporte, seria o melhor dos mundos: uma Confederações cujo colégio eleitoral fosse formado por todas as entidades de administração deste país. Acabariam as chantagens políticas explícitas que existem e que atrasam o taekwondo brasileiro. O problema da LIGA hoje está nas mãos da Justiça e é ela quem está decidindo como este rolo vai se desenrolar. A única coisa que posso dizer é que este sistema de votos de 27 federações é mais antidemocrático do que o que  existia nos tempos da ditadura, quando o Presidente da República era escolhido pelos deputados federais: mais de 500.

PRESTAÇÃO DE CONTAS
Quanto a prestação de contas, agora, a partir do dia 16 de Maio, tudo muda com a Lei de Acesso a Informação. A CBTKD agora será obrigada a apresentar todas as informações que o filiado ou não exigir ver. Tal facilidade se dará quando estas informações estiverem no site da entidade. Do contrário, não vão ter sossego. Agora é a Controladoria Geral da União que vai entrar no circuito, caso a entidade se negue a prestar informações.  Além disso, qualquer pessoa pode requerer, por exemplo, o recibo de ressarcimento da Federação de Taekwondo do Rio de Janeiro, pelo empréstimo feito a ela pela CBTKD. E ainda poderão pedir todas as informações sobre a Licitação realizada às pressas para a contratação de uma empresa de assessoria técnica no valor de R$ 150 mil.
Ou seja, o melhor a se fazer é uma contabilidade on line pública de acesso a todos.


Marcus Rezende é mestre 6º dan, formado em Comunicação Social e comentarista do Taekwondo no canal SporTV.

Enviado para publicação em 12/05/2012

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