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Foi-se o último dos moicanos, artigo escrito por José Afonso

Ultimo dos Moicanos por José Afonso
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Por José Afonso*, especial para o Site Bang, em 06/06/2012

Sem muito alarde ou publicidade, Juliano Tomé Capranzani, Superintendente Executivo da CBTKD e braço direito, até bem pouco tempo, do atual mandatário da entidade, deixou a Confederação no início deste mês (Junho de 2012). Quem acompanha os meandros do poder do taekwondo brasileiro pode avaliar melhor o que isso significa, assim como foi a importância deste profissional a serviço do atual mandatário da entidade, mesmo antes do mandato ser tomado do seu titular JRKim, no segundo semestre de 2010, quando o velho mestre foi afastado em AGE por irregularidades em sua gestão. Um caso que ainda se desenrola na justiça carioca.

Falar em “O Último dos Moicanos”, significa dizer que Juliano era o último parceiro que ainda restava a serviço do atual Presidente Provisório em exercício na Confederação, principalmente em se tratando do grupo de advogados responsável por cassar JRKim e viabilizar a entrada do atual mandatário ao poder.

Mas, se formos falar nas pessoas que contribuíram à escalada ao poder do atual mandatário da entidade, a “cauda vai longe”, e teremos que nos remeter a 2007, para um bom ponto de partida.

Meados de 2007, JRKim tenta revitalizar seu grupo, levando para São Paulo, no Curso da Kukkiwon promovido pela FETESP, alguns dos seus mais antigos alunos para serem “apenas” examinados a 7º Dan.
Entre eles o atual Presidente Provisório em exercício da Confederação. E é bom que se registre que parecia que, do ponto de vista da preparação física e técnica, o mesmo não estava lá “aquelas coisas”. Muita gente pôde assistir ao exame de faixa dele. Errou muito... bem mais do que podia.

Se a dupla YMKim/JRKim sonhasse o que estaria por vir, certamente o teriam reprovado, de modo que nenhum dos presentes iria dizer que fora uma “injustiça”. E notem que muita gente assistiu a este exame e, neste momento, deve estar concordando com esta observação.

O dirigente provisório sempre teve seu nome indicado por Jung Roul Kim dentro da diretoria da federação do Rio. Foi 2º Vice-presidente de Nam Ho Lee, pois o 1º era Paulo Portela. Com a morte de NHLee, Portela assumiu a presidência e o atual mandatário da CBTKD a 1ª vice-presidência. Porém, de fato, nunca participou das decisões em nenhuma das gestões estaduais. Quando Paulo Portela renunciou, ele assumiu a presidência da federação carioca com o apoio de JRKim.

Em 2008, ele produziu o vídeo “A Trajetória de um Campeão”, para ser distribuído e estimular apoiadores em potencial. Neste apanhado audiovisual pediu emprestado a credibilidade de seu ex-mestre JRKim (Presidente cassado da CBTKD, para dar lugar ao personagem em questão) e de parceiros de outrora como Marcus Rezende (do Blog Taekwondo Opinião - processado pelo próprio personagem em questão, por críticas a sua atual gestão) e Jardson Bezerra (atual presidente do STJD/CBTKD, literalmente ridicularizado e jogado a escanteio pelo próprio personagem em questão).

A partir deste vídeo, ele começa uma escalada ao poder, aliando-se aos que criticavam a gestão dos mestres coreanos, de modo a dar forma ao seu projeto político, no intuito de assumir o comando da CBTKD.

Todavia, em 2009 ele é desaprovado pelo Colégio Eleitoral, nas Eleições para Presidência da CBTKD. Meses depois, o vice de JRKim (Maurício Dutra) renuncia ao cargo para atender a acordos políticos. Na ocasião, JRKim, percebendo tamanha cobiça de seu ex-pupilo pelo poder, pouco fez para ele ser eleito e a vice-presidência foi parar no colo de Yeo Jun. Seria a segunda derrota consecutiva do atual Presidente Provisório em exercício da Confederação, desta vez para Vice Presidente da CBTKD.

Nestas alturas o grupo que o apoiava (e que possuía cargos na CBTKD) já influenciava o núcleo dirigente da Confederação, de modo a fazer com que Yeo Jun Kim (eleito legitimamente) não vislumbrasse nenhuma perspectiva ou aproximação do poder, o que deve ter sido determinante para também largar a vice-presidência e voltar para a FETESP. Yeo Jun renunciou e deixou o caminho aberto para, enfim, sem concorrentes, o atual mandatário ser eleito vice de JRKim.

A esta altura, o vice deste atual mandato já contava com um grupo de peso para chegar aonde chegou. Porém ainda faltava mais um passo: chegar à presidência da CBTKD. O que não demoraria muito.

Naquele momento, as ambições políticas do atual gestor, que aglutinava parceiros e aliados, assim como se moldava a esperança de mudança de um jugo coreano de mais de 20 anos, fez com que seu discurso fosse alinhado ao dos que já criticavam as gestões que se sucediam ao longo do tempo no comando da CBTKD. Entre os que deram total apoio, estava Marcus Rezende, que contribuía com o ambicioso dirigente refazendo seus artigos e discursos; Zé Afonso, que enchia os leitores do Tkdlivre de esperanças e Fred Mitooka, que dava espaço no TkdNews e se deslocava de Piracicaba para o RJ por conta própria, para os embates, por entender que não era hora para omissão.

Além destes, até mestres coreanos acreditaram e contribuíram de alguma forma, seja em articulação política, apoio disfarçado ou ajuda financeira. Mas os nomes até aqui citados não foram tão determinantes para a meteórica ascensão e ocupação do poder na Confederação quanto foi o Staff Jurídico que se formou em torno deste dirigente.

Juliano Tomé, os irmão Marcio e Luiz Albuquerque, Julio e Murilo Matuch (todos advogados), formaram um grupo profissional de respeito e este grupo foi de vital importância para a queda de JRKim, além de tirarem outras “pedras” do caminho do atual Presidente Provisório em exercício na Confederação.

Ironicamente, este Staff era formado por profissionais liberais, assim, os mesmos podem, num outro contexto, emprestar competência, experiência e know how, a qualquer outro interessado, o que pode gerar um pânico de quem usou e esnobou deste grupo.

Mas, por que nesta história não incluímos os Presidentes das Federações? Simples; basta observarmos que em duas eleições o dirigente em questão foi rejeitado no voto pelo Colégio Eleitoral. Além disso, vale lembrar que até os últimos instantes da AGE que cassaria JRKim, ainda tinha presidente vacilando, sem saber a quem mandar suas procurações, atentos à expectativa de uma garantia de vitória do atuante Staff Jurídico.

Desta forma, não dá para imaginar que o coletivo dos presidentes tenha sido determinante ao processo, a não ser para desfrutar de uma zona de conforto política por outros conquistados. Porém, refletir e entender o papel e os interesses dos presidentes de federações neste cenário político é um desafio para outra oportunidade.

Tão logo JRKim foi afastado, uma primeira leva de colaboradores foi colocada de lado, inclusive para que o novo comandante não tivesse interesses de diferentes ordens em conflitos com as expectativas dos presidentes estaduais (parceiros a partir de então).

Ao longo de 2011, à medida que o Presidente Provisório em exercício na Confederação foi se vendo mais firme no poder, seu Staff Jurídico foi se dissolvendo.

Muito provavelmente a partir do infeliz episódio da mudança do Estatuto Social da CBTKD, em novembro de 2011, e também por conta do que se sucedeu nas semanas subsequentes à fatídica AGE, teria sido a gota d(ASPAS)água àqueles que tinham no respeito ao Estado de Direito um norte para se guiar e atuar como profissional.

A saída de Juliano Tomé fecha um ciclo. O ciclo daqueles que acreditavam na liderança deste dirigente como propulsor de esperanças e motivação para acreditar num futuro melhor para o taekwondo nacional.

Agora, com os interesses do atual gestor, aliado a um grupo que faz do poder um úbere para se obter ganhos pessoais, financeiros, graduações e relevância política, retrocedemos ao que tanto criticávamos.

Enfim... Tudo ‘parece’ igual como era antes. E quase nada se modificou...

A única certeza é que este processo pelo qual vem passando o taekwondo nacional ao longo dos últimos anos, nos faz crer que o atual dirigente não tem, nem de longe, a credibilidade e a moral que os grandes mestres tinham, apesar dos defeitos, equívocos e vícios, tanto criticados nas gestões anteriores. Principalmente quando os erros de hoje superam em gênero, número e grau aos dos dirigentes antecessores.

*O autor, José Afonso é de Mossoró/RN. É Faixa Preta de Taekwondo e articulador do Site Tkdlivre.

Nota: O artigo em questão reflete exclusivamente uma opinião pessoal, faz parte do ativismo político do autor e assim, da sua inteira responsabilidade.

Enviado para publicação em 06/06/2012

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