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Vende-se o Taekwondo!

Por Jair Queiroz

Quem quiser adquirir um “lote” da modalidade taekwondo, já pode se habilitar. Trata-se do novo empreendimento promovido pela entidade dirigente nacional, que oferece chancelas para rankings em todas as regiões do Brasil.
O mega projeto disponibiliza chancelas a preços módicos, na faixa dos três mil reais, com retorno seguro de até dez vezes mais. Clientes especiais podem até ser contemplados com a gratuidade da operação, bastando alegar já ter adiantado o pagamento em realização de campings pelo interior do Paraná. Se não tem como comprovar com recibos, basta empenhar sua honrada palavra.
A relação da feliz clientela está aumentando e inclui investidores de norte a sul do país, que atestam que o negócio é lucrativo, pois com a chancela da CBTKD, que pode também incluir a ilustre presença do seu mandatário mor (tampão), um evento privado toma caráter oficial. Lucro certo para quem compra e para quem vende, já que nos bastidores sempre pode cair uma “comissão” para o corretor que facilitou a negociata.
Com o incremento da chancela a mídia tem mais interesse, a captura de patrocínio fica mais fácil, incluindo o convencimento para obter repasses de dinheiro público. Afinal, com o apelo à nobreza do esporte de alto rendimento, com vistas ao páreo Olímpico, que governo não se sensibiliza? Garante também a presença maciça dos atletas de alto rendimento que correm do Oiapoque ao Chuí atrás de garantir pontos para se manterem no ranking. Uma só falta põe a perder anos de trabalho, logo, se querem sonhar com os louros olímpicos, têm que acatar as regras do jogo e contribuírem com seus próprios investimentos para o enriquecimento dos “donos” dos eventos chancelados. São eles também os chamarizes para os incautos que vêem em caravanas das mais distantes paragens, até de outros países, pagando de cem a cento e vinte reais de inscrição por modalidade a que se interessarem.
A chancela de opens ou de outras competições NÃO está prevista pelo regimento da CBTKD e não questionamos a sua LEGALIDADE. Destacamos, porém, que nem tudo que é legal é moral e o que criticamos são os excessos, que infelizmente têm se tornado a regra. Esses se configuram abusos claramente orquestrados para beneficiar alguns parceiros e prejudicar a outros, notadamente os concorrentes políticos.  
Entre o fogo cruzado dos interesses políticos e financeiros estão os atletas, a parte que mais é atingida. Suas queixas incluem a vultosa soma de dinheiro investido em passagens aéreas para cima e para baixo, do tempo perdido em longas e cansativas viagens, da falta de tempo para recuperação e preparação técnica e até para programarem suas vidas particulares, além de sofrerem com a desorganização que tem marcado alguns eventos promovidos pelos Capitães Hereditários do taekwondo brasileiro (desde que um português aportou lá pela sede central do poder, esses legados históricos vem se tornando mais frequentes). Embora sejam a mola mestra da existência da própria estrutura da modalidade e de conferirem brilho especial aos eventos, os atletas não têm poder de voz e voto, logo, pouco importam aos interesseiros mandatários.
Embora eu tenha citado a desorganização de certos eventos, não entrarei na polêmica que envolveu o Open “Perdidos na Madrugada” de Porto Alegre, pois com tão ampla divulgação na mídia do taekwondo, não há mais nada a acrescentar, mas apenas a lamentar.
Aproveito para sugerir aos dirigentes das federações estaduais que reivindiquem à entidade maior, a organização de um novo workshop e convidem o presidente da FETRON, mestre Robson Oliveira, para que ministre uma aula sobre organização de competições de alto nível, a exemplo do que foi o Campeonato Brasileiro/11, em Porto Velho. Mas façam isso logo, antes que a FETRON seja desfiliada, já que o Robson hoje é um opositor ao sistema.
Sugiro ainda que os “mercadores de chancelas” exijam o cumprimento dos regulamentos e respeitem os limites de pontuações estabelecidos por eles próprios e que disciplinem os eventos chancelados, que hoje não passam de miscelânea de graduações, faixa etária, gênero e categorias. Exijam também que seus “clientes” tenham respeito com os atletas e não façam da chancela apenas um caça níquel para engordarem seus bolsos, em detrimento do verdadeiro desenvolvimento da modalidade.
O presidente em exercício da CBTKD, utilizando-se do seu codinome, divulgou nota afirmando não ser conivente com a baderna do open de Porto Alegre. A nota é contraditória, uma vez que o site oficial da entidade, por outro lado, diz expressamente: “Não nos responsabilizamos por quaisquer outros eventos que não constem nesta lista”. A lista a que se refere divulga a relação dos contemplados com a chancela, dentre eles o Porto Alegre Open, pelo qual a entidade oficial assumiu a responsabilidade, mas o presidente quer fugir dela. A intenção do aviso no site era claramente a de prejudicar os opens não chancelados, porém o tiro saiu pela culatra, pois foi um chancelado que detonou o esquema. Por outro lado conhecemos eventos não chancelados e que são exemplos de organização e recorde de público.
Pelas reações impulsivas que tem sido praxe por parte da administração maior, a repercussão negativa sobre a baderna do open gaúcho, pode custar ao dirigente da “federação dos pampas” um processo de cassação e a execração pública em blogs anônimos, além de ter sua federação desfiliada para limpar a barra do cartola tampão. Talvez até se livre da ”forca”, desde que empreste seu prestígio para promover a campanha do pretensioso presidente em exercício, rumo a sonhada plenitude do cargo nas eleições de 2013.
Na qualidade de adepto das técnicas orientais de meditação, o presidente gaúcho deve estar sempre em estado elevado de consciência e não será a torrente de críticas que recebeu que irá tirar-lo do seu ponto de equilíbrio.
Menos mal, assim também não corro o risco de ser processado pela vigésima sétima vez.

Mestre Jair Queiroz – Londrina - Paraná

Enviado para publicação em 01/07/2012

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