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Taekwondo é uma porcaria

“... com certeza “nada” [neste artigo] te acrescentará e possivelmente nunca mudará sua forma de ser, pois resolveu [“o taekwondista malvado”]  fechar diversas portas por ter encontrado outras que não te serviram, e assim acredita que todas são iguais...”


Somos exatamente o que buscamos e o que conseguimos ser ao passo de nossa força de vontade e auxílios externos. Vejo o Taekwondo como um bom vetor para definirmos o que realmente devemos ser em um enorme contexto social: os bons e os maus. Ser mais ou menos não interessa, somos constantemente analisados por todos a nossa volta, os bons são enaltecidos claramente, assim como os maus são repudiados. Os mais ou menos estão em transformação e não sabem ainda para onde vão. Cabe ao leitor descobrir quem é de acordo com suas ações. “Não é o que você é por dentro e sim o que faz que te define”. Tal afirmação é um recorte do filme Batman Begins, onde podemos também, traduzir/importar para o Taekwondo, afinal é isso que a arte quer de você: transparência, honestidade, espírito coletivo.
Faço um pequeno desafio: ler este artigo  até o fim e analisar o que de fato é importante para sua imagem e jornada marcial. Após leitura faça uma pequena reflexão de como está procedendo, se suas ações são convenientes com a arte, pois é no pensamento que está a nossa grande matéria prima, a qual gera nossos atos e define o que realmente somos perante o olhar do outro: pensamento = ações = conseqüências.
Mas a você que já sabe tudo, com certeza nada te acrescentará e possivelmente nunca mudará sua forma de ser, pois resolveu fechar diversas portas por ter encontrado outras que não te serviram, e assim acredita que todas são iguais: uma maçaneta, duas dobradiças ou mais, algumas com chaves e outras sem, etc. Se for assim, pare de ler agora, vou entender sua forma de agir, pois cada um tem o seu tempo e consequentemente escolhe o que prefere e, de certa forma, “tem o que merece” (no bom sentido).
Vivemos em um mundo exacerbadamente capitalista e que, ao que parece, nunca irá mudar, vejo que muitos ainda não entenderam isso: ricos e pobres existem! Fracos e fortes existem! Dominantes e dominados existem! Nada será igual em sua totalidade. Digo isso porque a maioria dos leitores/competidores não irá a uma competição fora do país. Somente um grupo seleto irá! É assim mesmo, uma seleção! Não há um mesmo lugar para todos.
Talvez o ponto principal sejam as eternas reclamações que vejo atualmente e ao longo do tempo que estudo nossa arte. Não é somente a cobiça, o orgulho e a falta de humildade os alvos das inúmeras reclamações, delato que o comodismo e a preguiça também estão presentes. Mas o que fazer? O que fazer para melhorar o seu Taekwondo e o de todos nós? Já pensou em começar por você? Na atual conjuntura, nunca poderia deixar de mencionar as redes sociais como, por exemplo, o facebook. Navegue e pesquise a quantidade de informações desnecessárias, não relevantes e sem fontes precisas que são postadas a todo momento. Nesta altura deve me perguntar qual seria a ligação das postagens com um “Taekwondo porcaria”? Notório, se você posta somente porcarias e mazelas sobre o Taekwondo, com certeza você está doente, deve se tratar, pois o seu Taekwondo está doente. É somente isso que pode dar à modalidade? O Taekwondo é muito mais amplo do que você imagina, ele quer mais de você!
Mesmo para aqueles que já sabem o bastante e seguem a boa linha de nossa Arte Marcial, pode ser que haja algo de bom nos parágrafos abaixo. Completar uma lacuna, relembrar algo ou até mesmo dizer: “eu já sabia disso tudo”. Não importa! O que realmente se faz necessário é ter o Taekwondo como referencial do bem.
Como pode dizer que o Taekwondo é uma porcaria? Porcaria é você que acredita nisso e ainda replica este conceito como se fosse uma verdade universal e em todos os âmbitos da modalidade. Por falar em conceito, onde estão aqueles que aprendeu no primeiro dia de faixa-branca? Como pode ser fiel aos ensinamentos de seu mestre e aos nossos juramentos se está sempre criticando maldosamente nossos irmãos? Percebo que  muitos estão certos em suas reclamações. Mas será que somente reclamar adiantaria? Será que você vai reclamar eternamente sem ao menos propagar algo de bom sobre a nossa modalidade? Analise: será que você está falando mais coisas ruins do que boas? Está feliz com o que tem e como você é? Outra pergunta importante: de acordo com os ensinamentos do Taekwondo, você deveria ser mais forte nas adversidades e raciocinar com mais calma para trilhar um caminho melhor?
O Taekwondo, para muitos (e para mim) – com certeza – é uma opção, um caminho, uma vida, uma filosofia que oferece vias corretas, as quais nos levarão sempre as boas companhias, aos bons trabalhos e as boas realizações, tanto individuais quanto coletivas. Se você não pensa assim, retire-se imediatamente do nosso grupo porque você não serve para representá-lo! Não merece nossos símbolos!
Gostaria de dar um basta em diversas reclamações, mas não posso. A única coisa que realmente posso fazer é continuar feliz com o que tenho e como produzo as coisas que tenho, além de levar uma mensagem positiva para todos, e aproveito para agradecer aqueles que já leram algo do que escrevi anteriormente e ainda concedem confiança as laudas ou trechos de um praticante experiente.
Então, vamos prosseguir? Muitos reclamam dos professores, dos mestres, das salas de treino, dos preços das academias, das taxas de exames, da anuidade federativa ou confederativa, das faixas que são entregues às pessoas que “não merecem”, da falta de organização dos eventos, dentre muitas outras questões. Então, o Taekwondo é uma porcaria? Isso é o Taekwondo para você? Se for assim, você também é uma porcaria, pois faz parte dele. Certa vez aprendi um dito popular muito interessante: “Somente um louco reconhece outro louco”. Um bom conselho: desligue-se do Taekwondo para que a sua imagem não fique prejudicada.
Convido-o a abrir bem os olhos para que possa enxergar melhor, caso queira “beber do meu chá”. Eu disse enxergar! As pessoas que mais reclamam são as que desejam muito e nada fazem. Desejo que enxerguem as coisas boas dentro de nossa modalidade, mas o que adianta se elas mesmas não desejam isso? Sei que muitos que estão dentro é porque amam nosso esporte ou sua filosofia. Agora sim, Filosofia! Uma boa palavra chave! Através dela alcançamos novos degraus dentro da arte ou ao menos um equilíbrio para que possamos entender a nós mesmos e ao outro, mesmo que ele não seja exatamente o que você deseja, mesmo que ele não esteja de acordo com os conteúdos filosóficos. Faça uma análise do que é filosofia, abra o word e escreva sobre o seu entendimento de acordo com o Taekwondo. Leia e releia o que escreveu atentamente e pergunte se você está dentro do padrão, ou melhor, agindo da mesma forma.
Aos poucos você atinge as faixas coloridas e depois os dans. A meu ver é o envelhecimento natural de nossa sobriedade que deve fazê-lo mais calmo e reflexivo, além é claro de estar buscando sempre o aprimoramento técnico. Nas outras Artes Marciais é assim, na maçonaria ou na rosa cruz também é assim. Fraternidade, seita, ordem, congregação e outras têm seus ritos e graus para evolução. No Taekwondo também não poderia ser diferente! Para onde quer que vá terá sempre alguém acima de você, não para pisá-lo, mas sim para orientá-lo. Se não está evoluindo pela sua rebeldia e afins, com certeza o Taekwondo que está praticando é uma porcaria e irá sempre estar amargurado com todas as coisas ruins que ocorrem ao seu redor, assim como reclamando de tudo e invejando os que crescem, e com certeza de nada ajudará. Na verdade, ajudará sim! Você será de grande ajuda! Ajudará a formar novos adeptos da amargura e do ressentimento, jovens que poderiam ser incentivados aos valores que realmente são importantes. É essa a ajuda que você quer dar ao nosso Taekwondo? É isso que você aprendeu com o seu mestre? Se for isso, desculpe, volto a convidá-lo a se retirar. Creio que meu tempo de trabalho e minha jornada em prol da educação me certificam em poder dar-lhe este convite “maravilhoso”. Só tenho uma grande dúvida... não recordo de nenhuma atividade que venha trazer tão bons benefícios quanto às Artes Marciais. São elas que nos dão a rica estrutura de equilíbrio através de um código de honra, de forjar um corpo para o bem, que nos transformam em “soldados” possuidores de mãos e pés letais, além de desenvolvermos lealdade e respeito com nossos amigos e parentes. Pode ir, mas volte quando tiver mais humildade!
Outro ponto importantíssimo são nossas amizades, aquelas que nossos pais sempre nos alertaram com seus ditados – “me diga com que andas que te direi quem és”. São nossos bons amigos taekwondistas que nos sustentam e são de grande importância para a sobrevivência do Taekwondo.
Você acha que é apenas em nossa modalidade que estão as pessoas ruins? Ledo engano. É você a pessoa ruim que sempre demonstra impaciência, sente raiva, agride, gera intolerância e insiste em continuar reclamando de tudo. As pessoas ruins existem em todas as esferas. Devemos aprender a tolerar as pessoas, respeitá-las, aprender com todas estas pessoas que chamamos de “ruins”. São ruins por darem mau exemplo, por graduar sem merecimento, pelas péssimas aulas e pelas organizações competitivas lamentáveis. “Cada um dá o que pode, nada mais nem nada menos.”, mais outro dito que aprendi. Entretanto, você pode mudar para melhor! Fique atento, mudar para melhor não é nada fácil, a batalha é dura e contínua! O que você ganha com esta mudança são valores importantes que te faz viver com sensatez e dignidade.
Voltaremos no tempo e em um lugar bem diferente ao nosso, onde as coisas não eram tão distintas em certos aspectos de nossa marcialidade. No século XIII existiu uma figura chamada Ramon Lull, um filósofo e missionário que escreveu um compêndio medieval onde, na história, um cavaleiro escrevera os princípios cavaleirescos na tentativa de resgatar as boas ações. Chamou sua obra de “O Livro da Ordem de Cavalaria”.  Acreditava que a Ordem poderia influenciar a sociedade, e os “cavaleiros malvados” deveriam ser combatidos. Mas seria uma tentativa em vão? Creio que não. O Taekwondo também quer atingir este limite, quer ultrapassar esta barreira. Primeiro com você em suas atitudes e depois em uma esfera maior, atingindo familiares, amigos e finalmente a sociedade. Utopia? Pode ser. Contudo, volto a dizer: reclamar não é a solução. Reclamar e fazer é um caminho melhor, mas fazer sem reclamar é saber avançar ainda mais, principalmente aliada a sabedoria e complacência. A história do mundo está recheada de bons e maus cavaleiros, qual deles você quer ser? Sobre qual cartilha quer estudar? O que importa mesmo é o seu comportamento, suas atitudes! Não seja um “taekwondista malvado”!
Para finalizar, vou transcrever partes de um texto que enviei a um velho amigo, com mais idade e muito antigo no Taekwondo:

Fulano, meu caro amigo, acho que posso te dar alguns conselhos (...) sabe como deve se posicionar como um verdadeiro artista marcial, principalmente quando se trata dos valores ensinados pelo Gal. Choi e também pela sua infinita busca em melhorar marcialmente, pois continua treinando a nossa modalidade e já está na reta final de outra. Para mim, e para muitos, você já é um mestre por vivência e muita experiência (...) faça por onde, ou seja, deixe estas mulheres que tem dono e pare de colocar algumas postagens no facebook, as quais podem descaracterizar você como sempre foi e é. Você tem ou sempre teve um espírito indomável e pode direcionar esta força para fazer a coisa certa e não precisar cair na malha da tristeza mais tarde achando que está fazendo algo de errado, e com certeza está. Só depende de você, redefina sua postura, pois muitos dependem de nós, e muitos, com certeza, dependem de você, dependem de suas boas palavras, gestos, afagos e de sua imagem meu caro amigo Mestre Fulano de Tal.

Se você ainda acredita que o Taekwondo é uma porcaria, com certeza não está plantando as sementes certas. Dou-lhe três opções, as únicas existentes: plantar a semente certa, plantar a semente errada ou não plantar. De todas só existe uma que te levará ao caminho da prosperidade. Quer mesmo que eu responda?

Gostaria de deixar uma pequena mensagem aos iniciantes: não gostar das primeiras aulas não significa que a prática e a didática da academia que frequentou seja igual em todos os lugares. Igual deve ser a vontade de todos os novos praticantes em querer melhorar (sempre) como pessoa através de nossos conceitos e juramentos. Para os mais antigos, recomendo a leitura do livro “O Livro da Ordem de Cavalaria” e agradeço a todos que ainda concedem confiança as laudas ou trechos de um praticante experiente.

Roberto Cardia
robertocardia@ig.com.br

Enviado para publicação em 21/06/2013

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